segunda-feira, 20 de abril de 2015

Maioria e PS chumbam exclusividade e rotatividade dos deputados ... Afinal até conseguem chegar a acordo quando querem!

Os deputados do PS, PSD e CDS continuam a querer acumular as funções que exercem na banca privada e nos grandes escritórios de advogados.

Os dois lados da mesma moeda, nas questões que importam...

O debate devia girar em torno de um reforço das incompatibilidades dos deputados – ou mesmo da exclusividade como propõe o BE – mas acabou por descair para uma querela ideológica, com um deputado do CDS a acusar o PCP de estar subserviente a regimes ditatoriais como o da Coreia do Norte. Só o projecto socialista foi aprovado na generalidade.

A iniciativa bloquista que propunha a exclusividade dos deputados mas também o regresso da rotatividade do exercício do mandato mereceu a condenação de PS, PSD e CDS. Pedro Filipe Soares, líder da bancada do BE, defendeu a necessidade de impor a exclusividade para acabar com a “porta giratória de pessoas e de interesses que andam sempre a ser jogados do privado para o público e do público para o privado”.


“Não podemos ter mais exemplos de administradores, consultores e advogados. De manhã estão num qualquer escrutínio a defender os interesses privados e à tarde na Assembleia da República a defender sabe-se lá que interesses”, sustentou o bloquista.

O mesmo argumento foi usado pelo PCP, não para defender a exclusividade dos deputados, mas para impedir que um parlamentar possa participar em negócios com o Estado através de uma sociedade de advogados ou de uma Sociedade Gestora de Participações Sociais.

“Um deputado está impedido de vender uma resma de papel à Assembleia da República se tiver uma papelaria, mas se, por via de uma sociedade de advogados ou SGPS, esse mesmo deputado participar num negócio de milhares de euros com o Estado, não há nada dos estatutos dos deputados, com a interpretação que PS, PSD e CDS foram fazendo, que o impeça”, exemplificou Jorge Machado.


A “promiscuidade” de que falaram bloquistas e comunistas lançou a ira no CDS, mas também no PSD e foi criticada até pelo PS. Telmo Correia, do CDS, criticou a proposta bloquista por propor “eleger deputados sem profissão, sem experiência de vida, para serem neste parlamento meros funcionários dos seus partidos”.

“É um fato feito à medida de o BE, de uma bancada que, felizmente digo eu, vai minguando. Maior moralismo ouvimos do PCP. Estranho que esteja preocupado que um deputado possa patrocinar (na sua actividade profissional como advogado) um Estado estrangeiro, por exemplo. Durante anos, não fizeram outra coisa que não servir um império estrangeiro (União Soviética). Queremos um parlamento livre, não nos queremos sentar em Pyongyang [Coreia do Norte], onde são todos escolhidos pelo partido", afirmou, gerando protestos na bancada comunista e um pedido de defesa da honra pelo líder do grupo parlamentar.

João Oliveira lembrou que os argumentos usados pelo deputado do CDS eram os mesmos do que os lançados no antigo regime pelos “fascistas para atacar os comunistas”, sugerindo que o interlocutor não tem lugar no Parlamento. Telmo Correia respondeu: “Qual é a ameaça? Quer retirar-me daqui para quê? Para me levar para um gulag [campo de trabalhos forçados do regime soviético]?”.

Menos cáustico mas também critico foi João Lobo, do PSD, que se insurgiu contra as posições assumidas pelos comunistas e bloquistas que põem em causa “a dignidade de profissionais sérios, dignos, como os advogados”. O social-democrata rejeitou a proposta da exclusividade do BE por significar a “funcionalização” dos deputados. Já quanto ao projecto do PS, a bancada do PSD mostrou-se disponível para debater na especialidade e por isso absteve-se (tal como o CDS) para a viabilizar.

O PS também se afastou das propostas mais à esquerda (votou contra os projectos do PCP e BE). “Não me parece que seja correcto, nem produtivo colocar o debate nestes termos. Como se existisse uma pureza em alguns deputados que se sentam nesta câmara enquanto outros são facínoras e incapazes de apresentar soluções”, disse Pedro Delgado Alves, dirigindo-se para as bancadas lideradas por João Oliveira e Pedro Filipe Soares.


Pessoalmente concordo com a exclusividade dos deputados.. por mim até poderiam ser melhor remunerados mas em menor número, e obrigados a assinar um contracto de exclusividade durante a legislatura...

Mas independentemente da minha opinião sobre a exclusividade dos deputados, podemos observar dois factos nesta notícia: Primeiro ponto, esta notícia quase nem foi falada aliás ,na verdade, foi publicada à pouco mais que um mês e quem é que se lembra dela (e porque será?); E segundo ponto, conseguimos ver como rapidamente os três partidos do arco da governação ( e também da corrupção, uma vez que nunca é dada uma chance aos restantes..) se juntam nas questões que mais (lhes) importam...

Esqueçam uma estratégia conjunta para a economia portuguesa para os próximos 10-20 anos, ou um plano comum para combater a corrupção ou mesmo uma revisão conjunta da constituição... A quimera portuguesa nunca se junta para tratar desses assuntos...


Artigo Original em:

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Água, um direito humano ou um negócio bilionário?

O acesso à água (potável) foi declarado um direito humano pelas Nações Unidas, aliás Água é Vida, nas palavras de Ban Ki-moon, Secretário-Geral da referida organização ... no entanto alguns não o vêm assim...

Hoje deparei-me com este vídeo, que infelizmente não o consigo partilhar sem ser através de um link. de qualquer maneira aconselho a ver com atenção. São 8 minutos que valem a pena gastar...

Vídeo de Marafumbo Ferrugento, disponível aqui. 

"Gostava que vissem esta reportagem de uma televisão Alemã, mas se não virem azar o vosso, numa televisão Portuguesa não vão ver de certeza, e mais logo há futebol. Liga dos Campeões.... Não se esqueçam de ver..."

Não é um bem sem o qual a vida humana possa continuar. No entanto economistas e especuladores acham que poderá perfeitamente tratada como mais um bem especulável, tal como o petróleo ou o ouro. Mas Peter Brabeck parece discordar:

Na opinião de Peter Brabeck, a água deveria ser tratada como qualquer outro bem alimentício e ter um valor de mercado estabelecido pela lei de oferta e procura...

Existe uma notícia escrita (Aqui) cuja leitura recomendo, mas poderão ver vós próprios o vídeo que tudo resume...
Presidente da Nestlé: "Água Não É Um Direito Humano Básico."

O opinião deste senhor resume-se bem ao título do anterior video: "Água Não É Um Direito Humano Básico."

Já temos a (má) experiência cá, no caso da electricidade e dos hospitais, de como a privatização (de um bem ou serviço público) raramente atinge os efeitos prometidos: a qualidade nem sempre melhora (na maior parte dos casos só piora) e o bem ou serviço em questão não se tornam mais baratos.. pelo contrário.

O seguindo excerto da RTP ilustra, em parte, este problema que já está a ocorrer, e cujas consequências serão muito nefastas...

RTP: A privatização da água tem sido desastrosa para os portugueses...

Agora, por fim, leiam esta notícia, e pensem como será quando boa parte a da água potável estiver nas mãos de privados....

segunda-feira, 13 de abril de 2015

São mais que as mães ....

Cansado de dizer que os partidos são todos iguais? Há 22 activos e o número pode estar prestes a aumentar com o novo partido dos reformados apresentado esta semana... nem imaginava que tínhamos assim tantos...


Fica aqui o link para o artigo original...

Drones: Para matar ou antes para salvar vidas? Você escolhe...

Hoje deparei-me com este vídeo de uma aplicação bélica num drone...


Prototype Quadrotor with Machine Gun!


Pessoalmente a ideia de que um maluco qualquer com o dinheiro suficiente para comprar uma coisa destas a possa adquirir sabe Deus para que propósitos não me agrada nada. No entanto, lembrei-me de um outro vídeo que vi à uns tempos, sobre uma outra aplicação para a mesma tecnologia...

TU Delft - Ambulance Drone

Os drones são algo bastante recente, pelo menos tendo em conta o seu acesso da parte do consumidor comum. Se estas máquinas estavam inicialmente pensadas para fotografar e filmar. No entanto novas aplicações estão a ser estudadas, como por exemplo o caso das entregas da Amazon e mais recentemente, pizzas...

Um canguru muito ciente do seu direito à privacidade ...

Mais uma possível aplicação: entrega de pizzas ao domicilio...

Com estes exemplos de aplicações tão dispares, no entanto baseadas na mesma tecnologia (os drones) dei comigo a reflectir no uso que damos à nossa tecnologia e às suas aplicações ... de certa forma este exemplo dos drones não é muito diferente da aplicação do nuclear quer para fins bélicos (ogivas nucleares) quer para fins energéticos (energia nuclear).

Não culpem a tecnologia, nem os cientistas, mas sim as pessoas e a sua decisão em como utilizar as ferramentas de que dispõem...

Para matar ou antes para salvar vidas? Você escolhe...

sexta-feira, 10 de abril de 2015

"Vamos fazer estágios até sermos velhinhos? Não é solução"

Um artigo que me tocou bastante, sobretudo sendo um jovem finalista de um mestrado e já tendo passado por um estágio (curricular) também, e vendo o que poderá ser o meu futuro...

Seis em cada dez trabalhos criados em Portugal são estágios. Neste mês, arrancam as candidaturas ao Reativar, programa de estágios para maiores de 30. Precários Inflexíveis juntam-se sábado, dia 11, para organizar “resposta a este abuso”.

Neste sábado, dia 11, os Precários Inflexíveis juntam-se para delinear um “caderno reivindicativo” e organizar uma campanha de luta contra esta realidade.

O estágio profissional de 12 meses está prestes a terminar e "Joana" já sabe que não vai continuar na empresa. Os zunzuns de uma possível proposta apontam para um salário igual ao inferior ao que recebe actualmente (cerca de 690 euros brutos por mês) e não está disposta a aceitar mais essa exploração. No currículo já tem um estágio curricular não remunerado de nove meses, obrigatório para terminar o mestrado em Psicologia, e quatro meses e meio de trabalho gratuito na empresa onde está agora a terminar o estágio profissional — período em que esteve à espera da aprovação do estágio por parte do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP). Para ser aceite na Ordem dos Psicólogos, terá ainda de fazer mais um estágio profissional de um ano.

A vida de estágio em estágio de Joana (nome fictício) é semelhante à de milhares de portugueses que vêem nesta modalidade a única opção de entrada no mercado de trabalho. Segundo dados do Banco de Portugal divulgados no final de 2014, seis em cada dez postos de trabalho criados no país correspondem a estágios (Infelizmente não se sabe ao certo se estão a englobar os estágios não remunerados nesta estatística ou não...). 

O Cartaz

É do Design, Arquitectura, Psicologia e algumas áreas humanísticas que continua a chegar o maior número de queixas. Mas o “abuso inaceitável” da figura do estagiário é “cada vez maior e abrange cada vez mais áreas”, alerta Adriano Campos, dos Precários Inflexíveis. “Temos encontrado ofertas de estágio para operadores de "telemarketing" ou vendedores em lojas de roupa. É um absurdo.” Os estagiários, recordam os Precários Inflexíveis, têm exigências de um posto de trabalho normal, cumprem um horário, não têm férias, se fizerem estágios de nove meses não têm direito a subsídio de desemprego no fim. E sofrem ainda uma “desconsideração”, sendo sempre colocados num segundo escalão, assumindo frequentemente tarefas que não são a sua função. 

“O estágio é claramente uma forma de nivelar por baixo a entrada no mercado de trabalho”, lamenta Adriano Campos.

Adicionalmente, neste sábado, dia 11, vai ser inaugurado no Porto (na Galeria Geraldes da Silva) um “mural da vergonha”, onde todos podem colocar propostas absurdas de emprego e estágios (“como a da Danone que dava paletes de iogurte em troca de emprego ou as de empresas que pedem experiência profissional, domínio de três línguas e 12 horas de trabalho diário e oferecem um salário mínimo”, exemplifica Adriano) e pode assistir-se à peça de teatro fórum M.E.T.2., uma produção conjunta do Núcleo de Teatro do Oprimido de Braga e da Associação Tartaruga Falante, que aborda as questões da precariedade, estágios e direitos laborais e apresenta uma crítica ao discurso do empreendedorismo. As iniciativas fazem parte do evento SOS Estagiário, organizado pelos Precários Inflexíveis, onde vão ouvir-se relatos de estagiários (qualquer pessoa pode aparecer), desenhar-se um “caderno reivindicativo” e pensar numa “forte campanha” que estará depois nas ruas e será levada à Assembleia da República em formato de petição.

Algumas das exigências a incluir estão já bem delineadas na cabeça dos activistas: maior fiscalização dos estágios por parte da Autoridade para as Condições do Trabalho, limitação do acesso a estágios por parte das empresas (com a obrigatoriedade de contratação de um em cada dois estagiários), alargamento dos estágios de nove meses para 12 (dando às pessoas a garantia de que têm, pelo menos, acesso ao subsídio de desemprego no fim do contrato), garantia de respostas mais céleres do IEFP aos processos e novas soluções para quem é obrigado a fazer estágios para entrar nas respectivas Ordens (como a dos Arquitectos, Advogados ou Psicólogos, por exemplo).

Imagem apresentada em precariosinflexiveis.

“É preciso contrariar esta ideia de que as empresas fazem um favor aos trabalhadores por lhes darem um estágio. A sociedade precisa destas pessoas e ser integrado é um direito”, sublinha Adriano Campos. As perspectivas de uma reviravolta desta “lógica instalada” não são, no entanto, animadoras. 

O Governo publicou no dia 20 de Março em Diário da República o Reativar, programa de estágios de seis meses destinados a maiores de 30 anos inscritos em centros de emprego há mais de um ano. “É uma extensão da austeridade. Este Governo especializou-se em ocupar os desempregados com estágios e cursos e desde que assumiu funções fez com que se perdessem milhares de postos de trabalho.”


O futuro? Provavelmente passa por emigrar, lamenta Maria Manuel: “Emocionalmente custa-me. Mas em Portugal ou se é empreendedor ou se salta de estágio em estágio. Vamos fazer estágios até sermos velhinhos? Não é solução.”

A propósito deste tema, e sobre a notícia que falava dos números reais do desemprego sobre a qual escrevi aqui, descobri, graças aos Anonymous Legion Pt e por intermédio da página Quem Não Offshora Não Mama o seguinte:

"João Miguel Tavares, comentador de serviço da direita portuguesa, dedicou recentemente três textos contra o Centro de Estudos Sociais de Coimbra, pondo em causa o números do desemprego real (29%) avançados pela instituição.

E Tavares sabe mesmo do que fala, com um rigor, pode-se dizer, quase científico. Em 2008, João Miguel Tavares era um promissor director-adjunto da Revista Time Out, publicação que recentemente se aventurou no ramo da restauração (é a crise). Fundada há menos de um, a Time Out precisava de jornalistas, pelo que recorreu ao tradicional método do anúncio:

«Procura-se Jornalista Estagiário

Se és jovem, sabes a diferença entre “à” e “há”, és lavadinho e conheces Lisboa como a palma da tua mão, junta-te a nós! A Time Out Lisboa procura estagiários que não se importem de trabalhar de borla durante 3 meses, mas num ambiente muito agradável (e onde nem sequer se pede que nos vão buscar café).
»


Como vemos, o comentador Tavares não desmerece o patrão Tavares. O autoritarismo sobre os desempregados disfarçado com a graça de um discurso leviano."
- directamente da página Quem Não Offshora Não Mama

Pessoalmente tenho um especial interesse pela próxima edição do Governo Sombra...

Fonte:
Artigo p3.publico.pt
Mas, afinal, qual é o desemprego real?

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Empresas condenadas continuam a ter contratos milhões nas cantinas do Estado...

Depois do oligopólio das gasolineiras eis o cartel... das cantinas sociais... enfim...

Foram multadas em 14 milhões de euros por cartel e troca de informações sensíveis. Multa essa que nunca foi paga porque as respectivas acusações prescreveram. Estado continua a assinar contratos com estas empresas.


O processo acabou em tribunal e, há menos de um mês, foi declarado totalmente prescrito, ou seja, nenhuma sentença confirma ou desmente a acusação. Apesar disso, desde a primeira decisão da AdC, a Gertal e a Itau (da Trivalor), a Eurest, a Uniself, a Ica e a Nordigal (dos mesmos donos) e a Sodexo assinaram perto de dois mil contratos públicos, no valor de quase 700 milhões de euros.

As sete empresas, detidas por cinco grupos económicos, controlavam na altura o mercado e foram acusadas de trocar informações sensíveis e combinar preços, de forma a repartirem os clientes já existentes entre si. Os novos clientes seriam disputados livremente, lê-se na versão não confidencial da Decisão PCR 2007/02, de 31 de Julho de 2012, disponível na página da internet da AdC.

Investigação desencadeada depois de denúncia de um antigo diretor da Eurest.

Nenhuma acusação acabou por ser confirmada ou negada - AdC multou as empresas em 14 milhões de euros por cartelização, troca de informações sensíveis e combinação de preços -, visto que o processo, que terminou há cerca de um mês, foi declarado prescrito pelo Tribunal da Concorrência, Supervisão e Regulação.

O Tribunal da Concorrência, Supervisão e Regulação deu a acusação de cartelização como prescrita, mantendo apenas a acusação de troca de informação comercial. A coima, reduzida para 6.330 milhões, acabou também por não ser paga porque o Tribunal da Relação de Lisboa deu a acusação de "troca de informação comercial" como prescrita, revela hoje o Jornal de Notícias. As prescrições foram justificadas com "o elevado grau de litigância judicial, com múltiplos incidentes levantados pelas 15 arguidas, tanto durante a fase administrativa como durante a fase judicial", segundo fonte oficial da AdC citada pelo Jornal de Notícias.


Quando as acusações de cartel e de troca de informações de mercado foram dadas como provadas pela Autoridade da Concorrência, o Código dos Contratos Públicos já previa a inibição temporária às empresas de fornecer entidades públicas. A inibição, porém, não foi decretada pela AdC, que afirma ter tomado as medidas "que foram consideradas adequadas". Ou seja, durante e depois da investigação da Autoridade da Concorrência nenhuma das empresas estava impedida de assinar contratos com entidades públicas, relata o Jornal de Notícias.

O Portal Base, onde os contratos assinados por instituições do Estado estão publicados, revela que desde a acusação da AdC as empresas em causa assinaram cerca de dois mil contratos públicos de quase 700 milhões de euros.

Fontes:

Empresas condenadas ganham milhões nas cantinas do Estado
Empresas acusadas de cartelização ganham milhões com cantinas do Estado